Pular para o conteúdo principal

Reflexões sobre o luto

  Reflexões sobre o luto


Por Débora Máximo





Nada se compara ao susto de receber uma má notícia! Isso aconteceu comigo esta semana. Foi um conjunto de susto, tristeza e dor que alcançou meu coração como uma facada profunda.


No decorrer da vida, sabemos que iremos perder alguém que amamos, mas estamos sempre com a esperança de que isso nunca irá acontecer. E quando acontece, a dor pode ser devastadora.


Podemos viver o luto em diversos formatos e nenhum deles deve ser negligenciado, porque todo esse processo de separação faz parte da vida. E precisamos perceber uma coisa: o luto não vem sozinho, ele é um conjunto de perdas. Quando perdemos alguém, não perdemos somente aquela pessoa. Perdemos também sua presença, a rotina que existia com ela, as conversas, os planos e tudo aquilo que fazia parte daquela relação. Uma única perda pode trazer várias outras junto com ela. Talvez por isso o luto desperte tantos sentimentos diferentes: tristeza, raiva, culpa, medo, saudade, vazio… às vezes tudo misturado.


Você provavelmente já ouviu falar nas cinco fases do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Elas nos ajudam a compreender algumas reações diante de uma perda, mas não significam que todos passarão por elas da mesma maneira ou nessa ordem.


Na negação, podemos ter dificuldade de acreditar no que aconteceu. Na raiva, aparecem a revolta e os “por quês?”. Na barganha, surgem os “e se?”: e se eu tivesse feito diferente? E se algo pudesse ter mudado? Na depressão, a ausência e tudo o que mudou com ela são sentidos de forma mais profunda. E a aceitação acontece quando começamos a reconhecer essa nova realidade. Mas aceitar não significa esquecer, deixar de amar ou não sentir mais saudade.


O luto não acontece em linha reta. Uma pessoa pode estar melhor e de repente, uma música, uma fotografia, um cheiro ou uma lembrança, pode trazer novamente uma emoção intensa. Cada um tem seu tempo, e não existe um prazo determinado para deixar de sentir uma perda.


Por outro lado, também precisamos estar atentos quando o sofrimento permanece muito intenso e começa a comprometer a vida por um período prolongado. Em adultos, o DSM-5-TR considera a persistência dos sintomas por pelo menos 12 meses como um dos critérios para avaliar o chamado Transtorno do Luto Prolongado. Isso não quer dizer que sentir tristeza ou saudade depois de um ano seja anormal...





O tempo, sozinho, não determina um problema. É a intensidade, a persistência e o impacto desse sofrimento na vida da pessoa que precisam ser observados. Talvez esteja aí um dos cuidados mais importantes, respeitar o tempo da dor, mas também perceber quando ela precisa de ajuda para ser atravessada. Há dores que precisam ser sentidas, acolhidas e compreendidas, sem a cobrança de que passem depressa.


Com o tempo, algumas lembranças ainda poderão apertar o coração, enquanto outras começarão a trazer um sorriso. Seguir em frente não significa deixar para trás quem amamos. A presença pode se transformar sem que o amor precise desaparecer.


E, aos poucos, a vida vai encontrando espaço novamente. Não porque aquilo que perdemos deixou de importar, mas porque aprendemos a carregar de outra forma aquilo que foi importante demais para ser esquecido.


Reprodução


Divulgação

Débora Máximo é influencer e graduanda em Psicologia


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Adri Tolardo – Quando a arte encontra o amor e a determinação

    Adri Tolardo – Quando a arte encontra o amor e a determinação Nascida em São Marcos, na Serra Gaúcha, Adri Tolardo descobriu o encanto da arte ainda na infância. Aos 8 anos, subiu ao palco pela primeira vez interpretando uma borboleta na peça Sítio do Pica-Pau Amarelo, sob a direção da professora Arildes Bertelli. Foi ali que deu asas ao sonho que a acompanharia por toda a vida: viver da arte e transformar vidas através dela. Atriz, produtora, apresentadora e diretora da Conceitoh Filmes, Adri construiu uma trajetória marcada por sensibilidade, talento e coragem. Participou de filmes, novelas e peças teatrais, conquistando destaque em produções como Enigma de Dolores, onde interpretou a Dra. Esmeralda, sob direção de Edna Fashion. Entre suas conquistas, recebeu o prêmio de Atriz Revelação pela MC Brasil e coleciona 19 premiações nacionais e internacionais pelo curta Surtada, no qual foi protagonista. Fundada em 2010, a Conceitoh Filmes nasceu em São Marcos com um olhar vol...

Visita guiada ao Municipal do Rj

    Visita guiada ao Municipal do Rj Eric Herrero, Clara Paulino e Bayard Boiteux -  Fotos: Messias Martins. A associação dos Embaixadores de Turismo do Rj realizou uma visita guiada ao Theatro Municipal, coordenada pelo diretor artístico do Theatro, Eric Herrero. O grupo foi recebido pela historiadora Ângela Stelitano que percorreu uma das mais icônicas casas de espetáculo, que nos faz lembrar a Ópera Garnier de Paris e brindou os presentes com várias curiosidades sobre os quadros,os lustres e os diversos bustos distribuídos. No final da atividade, Eric Herrero e a presidente da Fundação Theatro Municipal Clara Paulino receberam o grupo no Assyrio para conhecer a programação ate dezembro de 2025 e para brindar  a contagiante visita. Fotos Messias Martins. Fátima Simões  A Consul de Luxemburgo Marie Christiane Meyers e Erick Herrero  Zizi Magalhães e Dorys Daher Edgar Mandarino, Leda de Paoli e Vera Aninha  Marie Christiane Meyers e a filha Marina Meye...

Ricardo Paes Barreto é homenageado com o Troféu Leão Dourado e o Troféu Águia Dourada pelo trabalho à frente do TJPE

    Ricardo Paes Barreto é homenageado com o Troféu Leão Dourado e o Troféu Águia Dourada pelo trabalho à frente do TJPE O presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), desembargador Ricardo Paes Barreto , foi duplamente homenageado durante o evento Totalizando Brasil, que celebra personalidades e instituições que se destacam em suas áreas de atuação. O magistrado recebeu o Troféu Leão Dourado, símbolo de liderança e comprometimento com o desenvolvimento do estado, e o Troféu Águia Dourada, em reconhecimento à sua gestão à frente do Poder Judiciário pernambucano. As homenagens ressaltam o papel exemplar de Ricardo Paes Barreto na condução do TJPE, marcada por modernização, equilíbrio institucional e valorização dos servidores e magistrados. Sua atuação firme e sensível aos desafios da sociedade tem reforçado a credibilidade da Justiça e aproximado o Tribunal da população. Com uma trajetória pautada pela ética e pela busca constante pela eficiência, o presidente do...